S&P 500: quebrando recordes todos os dias

20/06/2024 22:05:40

4 min e 26 segundos

O S&P 500 vive dias de quebras de recorde. O mercado vem destacando em seus noticiários o  vistoso desempenho neste semestre.

Agora, será que as quebras de recorde são tão incomuns assim? A resposta é não.

Acompanhamos o índice desde os anos 70 e como você poderá ver, períodos de quebras sucessivas de recorde são mais usuais do que pensamos.

O S&P 500 vem fechando dia sim, outro também, em seu máximo histórico nas últimas semanas. Embora em boa parte das vezes, nestas quebras de recorde, esteja por detrás o excelente desempenho das empresas de tecnologia, não é apenas este setor que está empurrando o índice para cima. 

Ainda que pareça incomum, a quebra de recordes em grande número é mais usual do que se imagina. Em 2024, em menos de 6 meses, o índice ultrapassou seu máximo histórico em pontuação 31 vezes.

Os mercados estabelecem novos máximos com frequência. Desde 1970, o S&P 500 alcançou 965 novos recordes em sua trajetória de alta. Um gráfico histórico do S&P 500 mostra que novos máximos tendem a ocorrer consecutivamente e a persistir por amplos períodos.

Desde os anos 70, muitas quebras de recorde

Desde 1970, o S&P 500 alcançou 965 novas máximas históricas. A história nos diz que novos máximos são mais frequentes do que pensamos. O retorno durante os anos em que o mercado atinge novos máximos tendem a ser muito bons.

O ano de 1995 marcou a maior quantidade de quebras de máximas

O ano de 1995 foi o que mais quebras de recorde teve, foram 75. Se pensarmos em 252 pregões, o índice quebrou recorde de máximo histórico em quase 30% dos dias. A segunda maior quantidade de quebras ocorreu em 2021, foram 70.

Chances de retorno positivo aumentam em anos de quebras de recorde

Desde 1970, nos anos em que houve pelo menos 1 quebra de recorde de máxima histórica, tivemos retorno positivo no S&P 500 em mais de 80% das vezes! E mais, não tivemos retorno negativo nos anos em que a quantidade de quebras de recorde de máximas superou a barreira de 20.

Chances de retorno positivo aumentam em anos de quebras de recorde

A chance de termos retornos positivos quando há quebras de recorde de máximos históricos é grande, em especial quando o número de recordes no ano supera a mediana (30). Em 2024 já temos 31 quebras. Isso indica boa chance de termos até o final do ano um S&P 500 fechando no positivo.

Será que podemos esperar que o S&P 500 feche 2024 positivo olhando para o histórico recente de quebras de recordes de máximas? Quais são as chances disso acontecer?

Neste ano, diferente de 2023, os recordes estão sendo sustentados por mais setores, apesar da força de alta que as empresas de tecnologia e comunicação vem mostrando em razão da aplicação de Inteligência Artificial.

O S&P 500 subiu em maio e junho, recuperando-se da queda de abril. A recuperação ocorreu num contexto de volatilidade, à medida que os investidores ponderam os sinais econômicos contraditórios, os possíveis cortes de juros e avaliam a possibilidade de redução da atividade que leve a uma recessão ali na frente. O ano segue um caminho semelhante ao de 2023, com os setores de comunicação e tecnologia liderando. Contudo, ao contrário de 2023, a participação na alta inclui mais setores em 2024.

O retorno setorial do S&P 500

Comunicação e tecnologia lideram os ganhos do S&P 500 em 2024. A alta deste ano está menos concentrada que em 2023 e é puxada por outros setores. O que continua a levar o mercado a novos máximos históricos é a junção de empresas menos sensíveis à alta taxa de juros com a precificação dos ganhos com IA. Grandes empresas como Nvidia, Microsoft, Amazon e Google têm muito caixa e baixa necessidade de empréstimos, por isso, são menos afetadas pelo juro. 

O retorno do S&P 500 por classe de empresas

O ambiente tem sido menos benéfico para as empresas de menor valor de mercado na Bolsa (small caps). O juro alto é relativamente mais importante para as empresas menores, que podem ter de contrair mais empréstimos para financiar suas operações e o crescimento dos negócios.  

Quais as chances de você entrar agora no S&P 500 e ter retorno positivo?

O que estas observações podem significar para o S&P 500 em 2024? Prever o futuro é difícil (ainda mais com uma eleição presidencial à frente), mas a história oferece uma sinalização. 

Além de mais setores estarem dando suporte para o retorno em 2024, vimos que em anos em que o número de recordes de máximos históricos ultrapassa sua mediana de 54 anos (desde 1970), igual a 30 (em 2024 já temos 31 em menos de 6 meses), dificilmente o S&P fecha o ano negativo, tendo retorno médio de 19%.


Por Leandro Strasser / Gerente da R3 Educação (CGA, CFP, CAIA L1)

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