Fechamento Maio

Por Joane Weinert

Destaques de MAIO

Inflação

A tão temida inflação foi notícia ao redor do mundo no mês de Maio. Mesmo com os números externos sendo modestos em comparação com o padrão brasileiro. Nos Estados Unidos o mercado esperava uma alta de 0,2% em abril, mas os números mostraram um avanço de 0,8% no índice de inflação. Mesmo que esta diferença tenha deixado todos em alerta, este número não é o único indicador que mede a temperatura da economia americana.

A zona do euro também foi notícia com a inflação. Os números por lá aceleraram como esperado em abril devido a uma forte alta nos custos de energia e serviços. O índice de preços ao consumidor por lá subiu 1,6% em abril com relação ao mesmo mês de 2020, ganhando força ante o acréscimo anual de 1,3% verificado em março. 

Por aqui continuamos de olho no IPCA que cada vez mais destoa da meta. O centro da meta este ano é de 3,75% com limite de 5,25%. A inflação oficial medida pelo IPCA subiu 0,31% em abril na comparação com março, mostrando desaceleração mas ainda acima do teto da meta, atingindo 6,76% em 12 meses. O aumento dos produtos farmacêuticos foram a principal influência desse resultado. A prévia da inflação para o mês de maio, medido pelo IPCA-15, ficou em 0,44%. Desde 2016, esse foi o maior índice para o mês. Ficou abaixo de 0,60% divulgado em abril, mas ainda acumula alta de 3,27% no ano. A variação está em 7,27% para os últimos 12 meses.

Empregos

Os dados do emprego nos Estados Unidos também vieram muito diferente do que o mercado esperava. Foram criados 266 mil empregos em abril, segundo informou o relatório Payroll, abaixo dos dados de março (916 mil vagas). A previsão dos analistas de mercado era a criação de 978 mil empregos no período. E esses números permitem que o FED continue mantendo os juros baixos.

Aqui no Brasil, foram divulgados os dados do Caged, registrando abertura de 120,9 mil vagas com carteira de trabalho assinada para o mês de abril. O saldo foi o menor do ano de 2021, depois de números mais fortes aparecerem em janeiro (261 mil), fevereiro (398 mil) e março (177 mil). Mesmo com a queda da criação de vagas os resultados foram considerados bons pois o mês foi marcado pelo avanço da pandemia e medidas de restrições mais duras em diversas localidades. Com relação ao mesmo mês de 2020, o resultado foi significativamente melhor, quando quase 964 mil vagas foram fechadas em apenas um mês.

Reformas

Duas importantes reformas ganharam destaque no mês de Maio, a tributária e a administrativa. Elas se mostram essenciais para o enfrentamento das consequências econômicas da pandemia. O foco da reforma tributária é a unificação e simplificação dos diversos tributos que atualmente incidem sobre o consumo. O sistema tributário brasileiro é muito complexo e a reforma tem o objetivo de desburocratizar este modelo. O relatório da Reforma Tributária foi apresentado e os primeiros passos foram dados, sendo ela fatiada ou não, o importante é andar. 

Em meio a muita polêmica, a reforma administrativa também deu seus primeiros passos. Muitas discussões com esses assuntos ainda devem acontecer e deixam os mercados em alerta para cada notícia de mais um passo à frente.

COPOM e SELIC

Na reunião do COPOM a SELIC foi reajustada em 0,75, repetindo a dose da última sessão. Também foi sinalizado que os juros não devem subir a ponto de frear a economia, mas também não garantiram que essa visão não possa ser alterada. Tudo vai depender do andamento dos indicadores e possíveis descontroles das contas públicas.

Commodities

As commodities são notícia desde o início do ano com as expectativas de retomada da economia pelo mundo. E com o aumento da demanda puxado pela retomada da China e dos EUA, ações de commodities impulsionaram a Bolsa também em Maio. As matérias-primas têm beneficiado países com forte produção agrícola e pecuária, como o Brasil. Além dos avanços com a vacinação e dos estímulos gigantescos dos governos para combater a pandemia, dinheiro é o que não falta no mercado, os países ricos voltam a produzir e consumir com menos restrições de deslocamento.Bitcoin

A principal criptomoeda do mercado acumulou queda de 47% com relação ao maior valor do ano. Mas quem comprou a moeda virtual há um ano ainda acumula rendimento de mais de 150%, essas variações são normais em um ativo tão arriscado. Mesmo assim, todos seguem de olho nas declarações do presidente da Tesla, Elon Musk, que parece querer brincar com o mercado seguindo de anúncios do governo chinês com relação a ameaças  de reprimir transações especulativas com bitcoin dentro de seu território junto com a divulgação de agências de notícias que o governo chinês teria proibido instituições financeiras e empresas de meios de pagamento de participar de quaisquer transações relacionadas a criptomoedas.

O que esperar de JUNHO? 

O Ibovespa encerrou o mês de Maio renovando sua máxima histórica atingindo 126.215,73 nesta segunda-feira (31). Para o mês de Junho as expectativas são de novos picos, mas ainda atentos à volatilidade.

As commodities devem continuar com seu ciclo de alta. O crescimento do PIB brasileiro tem forte correlação com o ciclo de commodities. O setor representa mais da metade das exportações.

Mesmo com o caminho de retomada econômica acelerado ao redor do mundo, aqui no Brasil os riscos políticos e fiscais aumentam. Com o andamento acalorado da CPI da Pandemia, protestos contra o governo país afora e a aproximação das eleições (mesmo que pareça muito longe o assunto já está em pauta por aí) a economia brasileira fica mais sensível e investidores acabam passando longe daqui. A privatização da Eletrobras e o andamento das reformas continuam no radar. A crise hídrica também coloca preocupação na lista, isso sem falar da realização da Copa América por aqui esse mês. 

Todas estas situações parecem destoar da euforia da economia que hoje (01) divulgou o PIB do Brasil referente ao primeiro trimestre, mostrando alta de 1,2% em comparação com o trimestre anterior. Segundo levantamento elaborado pela Austing Rating, o Brasil ocupa o 19º lugar numa lista com 50 países, trazendo os resultados das maiores economias do mundo.

Lembrando que o PIB dos Estados Unidos cresceu 6,4% no primeiro trimestre de 2021 na comparação com o quarto trimestre e a economia da zona do euro contraiu 0,6% no primeiro trimestre de 2021, confirmando a recessão técnica, uma vez que, com exceção da França, o Produto Interno Bruto caiu em todos os maiores países. 

Junto com a divulgação do PIB, o Ibovespa bateu mais uma vez sua marca histórica chegando em 128.295. Isso tudo deve deixar o brasileiro meio confuso, pois no dia a dia parece estar cada vez mais difícil consumir e, até mesmo, se manter confiante diante das nossas notícias por aqui e recebendo as notícias lá de fora mostrando abertura da economia, vacinação acelerada e os estímulos surtindo efeito.