Fechamento Junho

Por Joane Weinert

A gente piscou e terminamos o primeiro semestre de 2021. E o que mais marcou esse primeiro período do ano com certeza foi a vacina tão esperada que chegou, para os mundo desenvolvido primeiro, mas por aqui também estamos caminhando.

Com a vacinação adiantada a consequência natural, claro, foi a recuperação das economias trazendo demanda para diversos setores que andavam meio parados desde o início da Pandemia. Vimos a reabertura estimular as economias na China, depois nos Estados Unidos e agora na Europa. E o que acontece quando existe muita demanda para mercados com restrição de oferta? Sim, aumento intenso nos preços e, por consequência, inflação. Acredito que essa foi uma das palavras do semestre.

Destaques de JUNHO 

Inflação

Nesse primeiro semestre descobrimos que o mundo também tem seus números de inflação, mesmo estes sendo bem menores do que estamos acostumados por aqui. 

Nos EUA ela andou subindo mais do que o mercado esperava (0,6% em maio e 5% na base anual), deixando todos em alerta com relação às manifestações do Federal Reserve (Fed) para possíveis aumentos na taxa de juros, o que não aconteceu. O Fed decidiu manter as taxas de juros entre 0% e 0,25%, mas antecipou uma futura mudança de política que previa alterar as taxas somente em 2024, mas começa a vislumbrar mudanças em 2023.

Também tivemos notícias de inflação na zona do euro também. O índice de preços ao consumidor subiu 2% em maio, acelerando de forma expressiva em relação ao acréscimo anual de 1,6% verificado em abril. O Banco Central Europeu afirmou que este aumento é temporário pois os fatores que causaram esta variação devem desaparecer em 2022.

Por aqui? Por aqui continuamos de olho no IPCA que está fugindo cada vez mais da meta estipulada para este ano, que é de 3,75% com limite de 5,25%. Em maio, o índice foi de 0,83% totalizando 5,25% no ano e 8,06% nos últimos 12 meses.

Empregos

Depois do pequeno erro em abril, onde os analistas americanos esperavam criação de mais de 900 mil vagas em abril e na realidade foram criadas 266 mil, os números de maio de junho vieram mais em linha com o esperado pelo mercado. O número de vagas criadas em junho foi 850 mil, enquanto em maio foi de 583 mil. Em contrapartida, a taxa de desemprego subiu de 5,8% em maio para 5,9% em junho.

Os números do Brasil são otimistas, de acordo com o Caged, o ano de 2021 registra saldo líquido de 1.233.372 empregos. São 38,2% a mais de admissões e 2,5% a menos de desligamentos que no mesmo período do ano passado, de janeiro a maio. O mês de maio foi o 5º mês consecutivo na criação de vagas com carteira assinada, 280,6 mil no total.

Reforma Tributária

Com o objetivo de simplificar e modernizar o sistema tributário brasileiro a reforma esteve no radar de todos nesse primeiro semestre, principalmente no mês de junho. No dia 25 o  ministro Paulo Guedes entregou ao presidente da Câmara, Arthur Lira, a segunda fase da reforma que trata do Imposto de Renda para pessoas físicas, empresas e investimentos financeiros, a tão polêmica taxação nos dividendos. 

COPOM e SELIC

A gente vai percebendo que o ano está passando rápido quando as reuniões do Copom começam a ficar mais frequentes. Mas isso é só impressão, claro! Em junho tivemos a 4ª reunião do ano, e o terceiro aumento da Selic. Começamos o ano em 2% ao ano, aumentando em 0,75 p.p. em março, maio e junho (4,25%) com perspectivas de mais um aumento na próxima reunião. Conforme avaliação do Copom, a pressão sobre os preços está mais persistente do que o esperado mesmo com o bom desempenho da economia. 

PIB

O PIB Americano subiu 6,4% no 1º tri de 2021. Por lá, a economia cresceu em um ritmo rápido, à medida que todos começaram a se sentir mais confortáveis para voltar às suas atividades. Analistas veem a economia crescendo a uma taxa anual de 7% este ano, o ritmo mais rápido desde 1984.

O PIB Brasileiro cresceu 1,2% no 1º trimestre em comparação com os 3 meses anteriores, voltando ao patamar pré-pandemia. Mesmo em meio aos números assustadores de casos do COVID-19 nesse tempo e o andamento lento da vacinação. Os resultados vieram acima do esperado mesmo com o ritmo de recuperação perdendo forças. O consumo das famílias recuou 0,1%, mas os investimentos tiveram alta de 4,6%.

Ibovespa e Dólar

Junho foi o mês dos recordes na bolsa de valores. O Ibovespa, principal índice da B3, engatou 6 dias seguidos de alta, chegando aos 130.776 pontos, número que estava previsto para ocorrer no final de 2021. Junto com esta alta o dólar caiu e fechou abaixo de R$ 5,00 depois de quase um ano, ficou rodeando os R$ 4,90 alguns dias. No semestre o Ibovespa acumula alta de 6,5% e o dólar acumula queda de 4,2%.

O que esperar de JULHO? 

No mês de Julho o que entra no radar são os indicadores que irão carimbar o fechamento oficial do primeiro semestre. Em artigo da Infomoney, Júlio Erse, gestor da Constância Investimentos, colocou que “o principal tema do primeiro semestre foi a inflação no mundo e que, de agora em diante, outras temáticas como a tramitação no Congresso da reforma tributária assumirão maior importância”.

Com a vacinação caminhando um pouco mais rápido nas últimas semanas, começamos a ver uma luz com relação ao controle da pandemia. A evolução da imunização deixa mais longe possíveis novos lockdowns, abrindo caminho para maior movimentação da economia. Os dados do varejo acima do esperado mostram esses sinais, o que nos deixa otimistas para este segundo semestre que se inicia.