Por que inteligência pode levar a decisões ruins?

22/06/2022 00:10:30

3 min e 43 segundos

Principais pontos da leitura

Uma falácia bastante latente é a associação direta de riqueza com sabedoria. Outra também bastante pertinente é a associação de inteligência e boas decisões.
Inteligência e boas decisões são duas coisas separadas. 
Em algumas situações, uma elevada inteligência impede o indivíduo de realizar boas decisões.
 

Certa vez, o megainvestidor Warren Buffett proferiu a seguinte frase:

“Sucesso nos investimentos não está relacionado com QI. Se você tem uma inteligência ordinária, o que você mais precisa é temperamento para controlar os aspectos que levam as pessoas aos problemas nos investimentos”.

Isto é, a partir de um determinado ponto, a chave dos investimentos está mais para o lado do controle emocional e da racionalidade do que da inteligência. De fato, concordo com Buffett.

No entanto, cabe observar que isso não significa se tratar de uma tarefa fácil. Controlar emoções é difícil. É difícil manter sua cabeça no lugar quando os demais não estão conseguindo.

Por que pessoas inteligentes, às vezes, tomam decisões ruins?

Uma falácia bastante latente é a associação direta de riqueza com sabedoria. Outra também bastante pertinente é a associação de inteligência e boas decisões. Não apenas no mundo dos investimentos como em vários âmbitos da vida.

Inteligência e boas decisões são duas coisas separadas. Em algumas situações, uma elevada inteligência impede o indivíduo de realizar boas decisões.

Existem dois motivos para isso.

Primeiro: a inteligência aumenta a capacidade de se auto sabotar por meio de histórias elaboradas como justificativas.

O ser humano tende a julgar os demais tomando como base as ações destes. Por outro lado, quando julgamos a nós mesmos, criamos um diálogo interno para justificar nossas decisões ruins.

Para exemplificar isso, podemos pensar nas seguintes situações:

  • Ao observar um gestor de fundo que alcançou retornos ruins, instantaneamente apontamos os eventuais erros: comprou na euforia, vendeu no pânico, pouca diversificação, dentre outros.
  • Por outro lado, se eu sou o gestor do fundo que alcançou retornos ruins, conto para mim mesmo uma história capaz de justificar minhas decisões e explicar o resultado, geralmente colocando a culpa em algum fator externo sobre o qual não pude exercer controle.

Quanto mais inteligente e criativo, mais propenso o indivíduo será a elaborar histórias para justificar suas más decisões.

Segundo: a inteligência leva o indivíduo a pensar que problemas complexos precisam de soluções complexas

Um pesquisador de câncer do MIT explicou certa vez o motivo de pessoas como ele não estarem interessadas em soluções simples, mesmo quando elas são efetivas.

O estudioso, Robert Weinberg, afirmou que persuadir alguém para parar de fumar é um exercício psicológico. Não tem nada a ver com moléculas, genes e células. Deste modo, pessoas como ele não se interessam, em essência, por estes métodos.

No entanto, o pesquisador reconhece que, se tivesse empregado esforços para que pessoas parassem de fumar, provavelmente o impacto na mortalidade por câncer teria sido maior do que qualquer coisa que ele esperava ter feito em toda a sua vida.

A grande ironia é que alguns dos maiores problemas têm soluções simples demais para serem capazes de servir como estímulo às pessoas que trabalham para resolvê-lo.

Nesse sentido, cabe ressaltar que, em várias situações, o problema pode necessitar de uma solução complexa. Ainda assim, é indispensável a capacidade de comunicá-lo em termos simples.

Einstein, Buffett e Jobs são pessoas brilhantes, assim como muitas outras. Porém, o que os destacou perante a multidão foi a capacidade de transformar complexidade em algo elegante e simples para que a maioria fosse capaz de entender e utilizar.

Acredito fortemente que o mundo dos investimentos apresenta vários problemas que têm soluções simples, mas que muitos estão habituados a complicar, devido ao mau uso da inteligência que possuem. Por fim, é válido salientar que simples não significa fácil ou trivial.


Por Tiago Reis / Suno Research

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