Diversificação: Quanto mais melhor?

Por Rafael Ragazi / Nord Insights

Por cerca de 2.500 reais uma seguradora vai aceitar pagar para um homem saudável de 35 anos uma indenização de 1 milhão de reais caso ele tenha o azar de falecer nos 12 meses seguintes.

A tabela atuarial diz que essa é uma boa aposta para a seguradora, mas você assumiria esse risco? Provavelmente não. Independentemente do que as estatísticas dizem, perder 1 milhão é um risco elevado demais para obter poucos mil reais em troca.

Contudo, a seguradora pode criar um portfólio de vidas seguradas grande o suficiente para que a sua realidade faça jus às tabelas estatísticas. É por isso que ela consegue fazer um bom negócio de apostas que você não toparia participar individualmente.

O fato é que um risco específico, quando visto isoladamente, pode parecer inseguro demais, mas no contexto de um portfólio pode fazer todo o sentido. Então, se diversificar o risco é uma boa ideia, por que não possuir 50, 100 ou até todas as mais de 500 ações listadas na nossa bolsa?

Enxergando as ações da maneira adequada

A resposta pode ser dividida em duas partes.

Primeiramente, em cada seguro feito, a companhia está arriscando perder 400 reais para cada 1 real que aposta. Eles precisam fazer milhares de apostas assim para que a conta feche.

Acontece que o risco que você assume ao comprar uma ação é limitado a uma perda de 1 real para cada 1 real investido. Consequentemente, você pode investir em apenas algumas ações atrativas sem assumir riscos exagerados.

Mas se todo mundo por aí recomenda que você tenha um portfólio bastante diversificado, por que você deveria possuir apenas algumas poucas ações?

A segunda parte da resposta é que um portfólio altamente diversificado de ações não é uma fórmula mágica para evitar o risco. Na verdade, é importante enxergar seu portfólio de ações da maneira adequada.

Na maioria dos casos, o dinheiro investido em ações representa apenas uma parte do patrimônio total. As pessoas também têm sua reserva de emergência, investem em suas casas e outros imóveis, em títulos de renda fixa, moedas estrangeiras e até em seguros de vida, para dar alguns exemplos.

Se você não quer colocar todos os ovos em apenas uma cesta, esse tipo de diversificação – entre classes de ativos – vai ser muito mais eficaz do que simplesmente diversificar o seu portfólio de ações.

Em outras palavras, o que aprendemos com Joel Greenblatt é: “não destrua uma estratégia de ações que funciona muito bem no mercado diversificando seu portfólio em direção a retornos medíocres.”

A diversificação que faz sentido

A verdade é que, independentemente de quantas ações diferentes você compre, investir na bolsa com dinheiro que você pode precisar nos próximos dois ou três anos para pagar o aluguel, financiamento do seu carro, plano de saúde, educação ou qualquer outro gasto é arriscado.

Nunca se esqueça de que o potencial de variação dos retornos da bolsa de um ano para o outro pode ser gigantesco, mesmo para quem comprou 500 ações, e a prática de vender ações sempre que você precisa de dinheiro guarda em si um enorme potencial de insucesso.

As suas decisões de comprar e vender ações devem se basear única e exclusivamente na atratividade das oportunidades encontradas. Isso significa que deixar um dinheiro em um ativo livre de risco ou em outras classes de ativos é necessário mesmo se a bolsa for o seu principal investimento.

O seu compromisso com a adequada diversificação deve ser feito deixando uma parte do seu patrimônio fora da bolsa. Enquanto você estiver fazendo o seu dever de casa, a estratégia de possuir apenas suas ações favoritas tende a entregar resultados consideravelmente superiores do que uma estratégia de comprar mais de 50 ações ou um fundo de índice.

Em algumas janelas temporais, essa estratégia pode resultar em uma oscilação de performance bem maior do que a estratégia de possuir um pouco de tudo na bolsa. Contudo, se seu patrimônio está alocado de maneira que você não será obrigado a vender em períodos de (inevitáveis) quedas, isso não fará diferença.

O que realmente importa é que em 5, 10, 15 anos… você terá multiplicado seu capital investido na bolsa de maneira significativa. Ao longo desse período, você até poderá ter investido em mais de 100 ações diferentes, mas apenas em algumas ao mesmo tempo, com uma diversificação suficiente, mas não grande demais para impedir que retornos acima da média sejam alcançáveis.

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