Risco vs. Retorno

Fonte: Nord Research (Por Rafael Ragazi)

Definições importam

É praticamente uma lei no mercado dizer que existe um trade-off entre risco e retorno. Segundo os acadêmicos e muitos profissionais, quanto mais risco você assume em seu portfólio, mais retorno deverá receber como recompensa.

Em contrapartida, quanto menos risco, menos retorno. Basicamente, é aquela máxima: não existe almoço grátis. Esse é um conceito fundamental que baliza tanto a pesquisa quanto a prática dos investimentos.

Em um mundo em que os mercados são perfeitamente eficientes, bastaria escolher o nível de risco e receber o retorno condizente. Contudo, os mercados não são eficientes (mas isso não é um problema, pelo contrário).

O investidor ativo ganha dinheiro exatamente explorando as ineficiências nos preços do mercado, e isso acaba fazendo com que a imutável relação entre risco e retorno não seja mais 100 por cento válida.

Isso não quer dizer que o conceito de risco/retorno é irrelevante, mas é importante que você entenda que quando se trata de ações, muitos se perdem na hora de tentar mensurar a parte “risco” da equação.

É comum definir o risco de uma ação como a volatilidade do seu retorno, ou seja, o quanto essa ação chacoalha. No mundo acadêmico, o risco é medido pelo “beta” de uma ação – a volatilidade do preço desta em relação ao mercado como um todo.

Normalmente, o cálculo do beta é baseado no comportamento passado do preço de uma ação e a distinção entre a volatilidade para cima e para baixo é bastante confusa: uma ação que subiu dando grandes saltos em um ano é considerada mais arriscada que uma ação que caiu lentamente no mesmo período.

Além disso, usar os preços (ou a volatilidade) passados para determinar o risco de uma ação pode levar a conclusões equivocadas. Uma ação que caiu de 30 para 10 é considerada mais arriscada que uma que caiu de 12 para 10 no mesmo período. A ação que caiu mais (e consequentemente está mais descontada) é considerada a mais arriscada.

Ela até pode ser, mas também pode ser que uma boa parte do risco de queda (downside potencial) foi eliminado pela forte desvalorização da ação (se os fundamentos não tiverem se deteriorado relativamente mais no mesmo período).

No fim das contas, a verdade é que praticamente nada pode ser concluído apenas medindo os movimentos passados do preço de uma ação. A volatilidade calculada sobre preços passados, além de não lhe dizer nada sobre o potencial de retorno futuro, também não diz algo mais importante ainda – o quanto você pode perder.

Afinal, quando você pensa em risco, está pensando no risco de perder dinheiro, certo? E é exatamente comparando o potencial de perda com o potencial de ganho (upside) que as boas decisões de investimento podem ser tomadas.

Sim, o potencial de ganho ou perda de uma ação é algo bastante subjetivo. É muito mais fácil usar o conceito de volatilidade como um substituto da medida do real risco. Mas isso não muda o fato de que o trabalho do investidor é, de alguma maneira, medir o upside e o downside de uma ação.

Apesar de ser difícil mensurar o real upside de um investimento, se você mantém a disciplina para nunca investir sem uma margem de segurança grande o suficiente e alia isso a uma boa dose de paciência e diversificação, é bem provável que resultados positivos e consistentes apareçam ao longo dos anos.

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