Perfil do Investidor e RPPS

Por Mário Fernando de Sousa / Sócio Diretor da Sete Confiança

CONTEÚDO EXCLUSIVO

O perfil do investidor, também chamado de suitability, é uma análise que tem por objetivo principal avaliar a tolerância ao risco de determinado investidor. Geralmente dividimos os investidores em “conservadores”, “moderados” e “arrojados”.

  • Os investidores conservadores são aqueles não suportam ver o valor de seus investimentos ficar negativo, eles preferem que a carteira renda pouco, mas não fique negativa. Estes investidores preferem ativos muito seguros, com pouquíssima volatilidade.
  • Os moderados são o meio do caminho. Suportam correr um pouco mais de risco que os conservadores, mas ficam desconfortáveis com quedas maiores nas suas carteiras.
  • Os arrojados são aqueles que, em busca de retornos acima da média, buscam ativos mais voláteis.

Agora que sabemos os principais perfis de investidores vêm as perguntas. Por que isso é importante para o RPPS? De que maneira isso afeta a carteira de investimentos dos RPPS? Vamos às respostas!

Assim como as pessoas físicas, os RPPS também possuem um “perfil do investidor”. No caso do RPPS talvez a análise seja até um pouco mais complicada porque além de avaliar a disposição para correr risco, avaliar a capacidade financeira de entes públicos é ainda mais complicada do que para as PFs porque há muito mais fatores que fogem do nosso controle.

Imagine que determinado RPPS queira investir em ativos de risco, ou seja, possui disponibilidade para o risco, mas que sua capacidade financeira esteja mostrando sinais de deterioração. Devo considerar esse RPPS como arrojado ou não? A resposta é “não”, mesmo que a análise do perfil do investidor aponte que “sim.

Daqui vamos para a segunda pergunta.

Imagine que eu considere o RPPS do exemplo como arrojado e monte uma carteira de investimentos com este perfil, isto é, com volatilidade razoavelmente elevada. Em um cenário limítrofe, pode acontecer de a situação financeira do RPPS continuar se deteriorando a ponto de ter de fazer resgates nos investimentos para cobrir suas despesas. Como a carteira é arrojada, pode acontecer, e é provável que aconteça, que este resgate tenha que ser feito em um momento em que os ativos estejam com rentabilidade negativa. O RPPS do exemplo vai realizar prejuízo por um erro na avaliação do investidor.

Conclusão: Avaliar a disponibilidade de tomada de risco é uma parte da moeda, a outra é a capacidade financeira do investidor, seja pessoa física ou RPPS. Uma avaliação equivocada do perfil de investidor poderá te levar a uma carteira que não é compatível com sua realidade e isso provavelmente te trata dor de cabeça.

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