De Brumadinho ao Carrefour: Como o mercado reage a tragédias?

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Fonte: E-investidor

Negócios são negócios, ESG à parte? Após um cliente negro ter sido assassinado por dois seguranças brancos dentro de uma loja do Carrefour (CRFB3), em Porto Alegre, na noite da última quinta-feira (19), o mercado financeiro reagiu com apatia. No pregão seguinte, as ações do varejista fecharam em alta de 0,49%, para R$ 20,39.

Nesta segunda-feira (23), após o caso ganhar ampla repercussão no final de semana e unidades do Carrefour terem sido alvo de protestos e depredações, os ativos da rede de supermercados finalmente refletiram o episódio, com uma queda que chegou aos 6% até às 14h. Para Fabio Alperowitch, gestor da Fama Investimentos e pioneiro em ESG (boas práticas sociais, ambientais e de governança nos investimentos) no Brasil, esse tipo de reação tardia dos investidores é um ‘soco no estômago’.

“O fato de vermos as ações do Carrefour caindo bastante hoje, obviamente não é porque os investidores de repente ficaram sensíveis de sexta-feira para cá”, diz o gestor. “A questão é que esse foi o assunto mais comentado no final de semana inteiro, o que gerou uma onda de protestos contra racismo, ameaças de boicote e etc. E protestos e boicote significam lojas fechadas, eventuais perdas de clientes, impacto no faturamento e consequentemente no lucro.”

Na visão do especialista, essa desconexão dos investidores com questões éticas passa a mensagem de que a atual onda ESG nos investimentos não é legítima. “Novamente, o recado ao mercado chegou por meio do dinheiro. Há cinco anos eu diria que era mais do mesmo, mas agora, com toda essa discussão ESG, eu imaginava que a reação seria diferente. E não foi”, diz Alperowitch.

Já na visão de Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, não é uma surpresa os papéis do Carrefour não terem sido impactados no pregão imediatamente após o assassinato do cliente ter chegado a público. “Em um primeiro momento é normal não ter tanta variação, uma vez que o foco é entender um pouco mais sobre a notícia e o acontecimento”, afirma o especialista.

Mercado foca mais no resultado financeiro do que nos princípios

Independentemente de natureza do acontecimento, a história mostra que o impacto nas operações é fator determinante para ‘fazer preço’. Em 28 de janeiro de 2019, pregão seguinte ao estouro das barragens daVale em Brumadinho (MG), as ações da mineradora caíram 24,52%, a R$ 42,38. Naquela semana, a queda total foi de 17,63% e no acumulado do ano, de 5,06%.

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