Trump vs Biden: Entenda as Eleições Americanas

Fonte: Resumo de vários textos (links no final deste post)

Como funcionam as eleições Americanas?

Diferente de outras repúblicas presidencialistas, os americanos adotaram um sistema chamado de colégio eleitoral, no qual cada estado ganha um peso, de acordo com o tamanho de sua população. 

O que um candidato à presidência dos Estados Unidos precisa mesmo é conquistar a maioria dos votos dos delegados que compõem o Colégio Eleitoral.

Isso porque quando os eleitores norte-americanos votam, eles na verdade estão decidindo para quem vão entregar os delegados de seus estados. E estados com mais habitantes têm mais delegados no Colégio Eleitoral.

O sistema do Colégio Eleitoral existe justamente para que estados mais populosos tenham peso maior na decisão. Por isso os candidatos lutam tanto para se dar bem em estados como Califórnia, Flórida e Texas, por exemplo, que, juntos, têm 133 delegados – quase 25% do total.

Somando todos os 50 estados dos EUA (mais o distrito de Columbia), existem 538 delegados em disputa, e se torna presidente o candidato que assegurar o voto de pelo menos 270 deles.

Qual a diferença entre democratas e republicanos?

Veja as principais diferenças entre os dois partidos:

Democratas
(Biden)
Republicanos
(Trump)
FilosofiaLiberal, de esquerda.Conservador, de direita.
Ideias econômicasDefendem a existência de um salário mínimo e que os impostos sejam maiores para quem tem renda mais alta.Defende que os salários devem ser estabelecidos pelo mercado e que os impostos devem ser iguais independente da arrecadação.
Ideias sociaisBaseado na responsabilidade comunitária e social.Baseado nos direitos individuais e na justiça.
Fundação18241854
Posicionamento sobre impostosProgressivo, ou seja, quanto maior o rendimento maior a tributação.Defende uma mesma taxa de imposto para todos, independente da renda. Geralmente se opõe ao aumento de impostos para os mais ricos.
Postura em questões militaresDiminuição de gastos.Aumento de gastos.
Postura sobre o casamento gayApoio (porém não é absoluto).Oposição (porém não é absoluto).
CorAzul.Vermelho.
SímboloBurro.Elefante.
Postura sobre o abortoDeve ser legal.Não deve ser legal.
Regulamentação do mercadoDefendem que a regulamentação é necessária para proteger os consumidores.Acredita que a regulamentação impede o capitalismo de mercado livre e o crescimento do emprego.
Política de saúdeApoia o envolvimento do governo nos cuidados de saúde, garantindo uma saúde universal.Acredita que as empresas privadas podem fornecer serviços de saúde com mais eficiência do que programas administrados pelo governo.
Estados de maior votaçãoNova York, Califórnia, Massachusetts.Texas, Oklahoma, Kansas.
Presidentes célebresFranklin Roosevelt (FDR), John F. Kennedy, Bill Clinton, Woodrow Wilson, Jimmy Carter, Barack ObamaAbraham Lincoln, Teddy Roosevelt, Ronald Reagan, George Bush, Richard Nixon

Quem são os candidatos?

O que eles propõem?

Tanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto seu rival democrata nas eleições de 3 de novembro, Joe Biden, dizem que o futuro do país estará em jogo nas urnas.

Desde a maneira de lidar com a pandemia de coronavírus, passando pela relação com o Brasil até a entrada de profissionais altamente qualificados no país, os planos do republicano e do democrata para o governo da maior potência mundial são, em grande parte, diferentes.

Joe Biden

SetorPropostas
Economia– Aumento de impostos para empresas, de 21% para 28%.
– Taxa mínima sobre lucros estrangeiros de 21%, acima dos atuais 10,5%.
– Incentivo fiscal de até 10% para certos investimentos na produção nacional.
Saúde– Retomada do programa de saúde pública conhecido como Obamacare (custo não divulgado).
Relações exteriores– Restauração da associação dos EUA com a Organização para o Tratato do Atlântico Norte (Otan).
– Retirada da “grande maioria” dos soldados americanos no Afeganistão e foco no combate à Al-Qaeda e Estado Islâmico.
– Retomada do acordo nuclear com o Irã se “o Teerã voltar a cumprir o pacto”, além de uma campanha de desnuclearização da Coreia do Norte.
Imigração– Fim da construção do muro na fronteira com o México.
– Reversão das políticas de Trump que separaram famílias de imigrantes.
– Criação de propostas no Congresso buscando uma reforma migratória e facilitação de vistos de trabalho em setores com escassez de mão de obra local.
Meio Ambiente– Investimento de US$ 2 trilhões ao longo de quatro anos, voltado principalmente para o incentivo a energias renováveis.
– Retorno do país ao Acordo de Paris.

Donald Trump

SetorPropostas
Economia– Corte do imposto sobre o salário e manutenção dos impostos para empresas e de lucros sobre o capital no nível atual. Em 2017 ele reduziu estas taxas para os atuais 21%.
Saúde– Modificações no Obamacare. Alguns ajustes foram apresentados em 2017, como o American Care Act, mas não se tornaram lei.
– Manutenção dos EUA fora da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ocorreu no início da pandemia do novo coronavírus.
– Incentivos e medidas para acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19.
Relações exteriores– Política do “America First” (“América Primeiro”) nas relações com outros países, focando sempre nos próprios interesses.
– Retirada de soldados do Afeganistão. É contra intervenções militares em outros países.
– Rejeição do acordo nuclear com o Irã.
– Guerra comercial com a China.
– Pressão contra a Venezuela, com sanções unilaterais ao setor petroleiro e a funcionários do presidente Nicolás Maduro.
Imigração– Política de “tolerância zero” com imigrantes sem documentos, impedindo que essas pessoas “sejam elegíveis para a assistência social, para a atenção médica e para a matrícula universitária gratuita financiada pelos contribuintes”.
– Prosseguimento da construção do muro na fronteira com o México.
Meio Ambiente– Manutenção da política de priorizar o uso de combustíveis fósseis em relação às energias renováveis. É cético sobre mudanças climáticas.

Como o mercado financeiro pode reagir? 

Pode-se dizer que estas é uma das mais importantes eleições presidenciais nos Estados Unidos pois acontecem quando o mundo atravessa uma crise global. O ex-vice-presidente de Obama, Joe Biden, lidera nas pesquisas e é dado como o favorito para o cargo. Mas Donald Trump ainda pode surpreender, como aconteceu em 2016, quando bateu inesperadamente a rival democrata Hillary Clinton.

Em uma eleição na maior economia do mundo, não são apenas as pessoas que votam que se interessam pelas propostas de cada candidato. Analistas e investidores do mercado financeiro mundial olham atentamente o que cada um poderá fazer se eleito, já que suas ações têm impacto político e econômico global.

Apesar da rejeição ao presidente americano estar acima dos 53%, os investidores não têm nada do que reclamar de Trump. Ao contrário. Ele reduziu o imposto das empresas de 35% para 21%, o maior corte dos últimos 30 anos, o que permitiu que as companhias conseguissem empregar mais e até aumentar os salários.

A economia americana, até o novo coronavírus, vinha crescendo ininterruptamente. Durante o mandato de Trump, o PIB americano teve alta de 2,4%, 2,9% e 2,3% em 2017, 2018 e 2019, respectivamente. Para uma economia desenvolvida como a americana, é um tremendo salto.

Para melhorar a situação do presidente americano, a taxa de desemprego sempre ficou próxima ou abaixo dos 4%. Mesmo assim, o governo recebia críticas, já que os salários não cresciam – deixando muitas pessoas em situação complicada, especialmente os mais pobres.

Aí veio a pandemia. Com ela, queda brutal no PIB (chegou a cair 32,9% no segundo trimestre, a maior retração desde a Grande Depressão de 1929) e o aumento da taxa de desemprego em 14,7% em abril. Agora, já está cerca de 8,4%.

O tombo, no entanto, deve ser menor do que o estimado no início da pandemia. Quem diz isso é a própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, na sigla em português), também conhecida como ‘clube dos países ricos’.

A economia dos EUA também deve ter desempenho melhor este ano com contração de 3,8%, contra queda de 7,3% projetada anteriormente. Mas com um país dividido e tanta tensão política, a vida do presidente que assumirá o mandato em 2021 não será nada fácil.

O Brasil será impactado com o resultado?

O mundo está de olho em quem será o próximo presidente da maior economia do mundo. Além do impacto natural das políticas americanas em todo o planeta dado a potência que o país é, no caso do Brasil, alguns fatores trazem um interesse ainda maior para quem será o vitorioso.

Desde antes mesmo de assumir a presidência, Jair Bolsonaro (sem partido) já deixava claro seu alinhamento de ideias com Donald Trump (ambos são de direita, conservadores nos costumes e com estilo populista, voltado para uso das redes sociais). Mas, mais do que simpatia, o presidente brasileiro entendia que o País desperdiçou oportunidades nos últimos anos de ter uma relação comercial e em outros campos com os americanos.

Portanto, caso o republicano se mantenha na Casa Branca por mais quatro anos, a tendência é que a relação com o Brasil não passe por grande mudanças, o que, por sua vez, também não deve se refletir no mercado financeiro e nos negócios por aqui.

A grande questão, porém, está na transição de poder com uma vitória de Joe Biden. Inicialmente, mercados no mundo todo devem refletir o que se ver nas bolsas dos EUA, que inicialmente pode ser de grande volatilidade caso ocorra uma judicialização da eleição com a contestação da apuração por um dos candidatos.

Mas o que tem preocupado muitos investidores é o fato do democrata ter uma linha ideológica bem diferente de Bolsonaro – por ser de esquerda e defender pautas de meio ambiente e direitos humanos, por exemplo -, temendo que isso possa prejudicar a relação entre os dois países. Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, porém, não devemos ver um impacto tão grande assim.

Isso porque Biden é considerado de uma ala mais centrista dos democratas, o que já reduz riscos de uma postura – ou propostas – mais dura, e isso vale tanto para o Brasil quanto para outros países, incluindo a China, em que as relações estão mais estremecidas.

Mesmo que analistas acreditem que as relações entre Brasil e EUA se mantenham próximas do que já são hoje, alguns assuntos específicos deverão ser acompanhados de perto caso Biden assuma a Casa Branca, já que as conversas podem não ser tão fáceis a partir de então.

Um deles é um amplo acordo de livre comércio, algo que Bolsonaro tem dito buscar desde que assumiu o poder, em 2019. Apesar dos dois países não terem conseguido uma parceria como essa, na semana passada foi fechado um Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (ATEC, na sigla em inglês) que prevê, entre outras medidas, a facilitação do comércio e o combate à corrupção.

Com uma reeleição de Trump, é bem provável que este tipo de relação se mantenha, com possíveis novos acordos, ainda que o presidente americano tenha uma postura mais protecionista em alguns pontos.

Com Biden, também não há expectativa de uma mudança, mas é aí que temas como meio ambiente, direitos humanos e direitos trabalhistas podem pesar, com maiores dificuldades para o Brasil caso o democrata queira colocar pautas do tipo nas conversas.

Na mesma linha, a tão sonhada entrada Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também é um assunto que seria mais favorecido com Trump no poder, já que ele mantém a postura de apoiar o Brasil a entrar no grupo dos países desenvolvidos. Com Biden, não há garantia de que isso se mantenha (ele nunca se manifestou sobre o assunto).

Links das fontes pesquisadas para este resumo:

G1Eleições nos EUA: entenda como funciona a escolha do presidente pelo colégio eleitoral

G1Biden ou Trump? Veja possíveis cenários para a economia brasileira

Super InteressanteComo funcionam as eleições americanas

InfomoneyTrump ou Biden: como o Brasil será impactado com o resultado das eleições nos EUA

InfomoneyAs propostas de Trump e Biden e seus impactos para as Bolsas e a economia mundial

BBC Trump x Biden: o que propõem os candidatos em 8 assuntos-chave para os EUA e o mundo

CNNDonald Trump ou Joe Biden: de que lado está o mercado financeiro?

DiferençaDemocratas e Republicanos

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