Futuro, aposentadoria e investimentos ESG: Qual a relação de tudo isso?

Por Joane Weinert Investimentos RPPS

CONTEÚDO EXCLUSIVO

Pensar no futuro tem sido um tema bastante discutido. O que parecia um problema distante com relação ao uso irracional dos recursos está se tornando algo cada vez mais concreto. A sociedade baseada em consumo e as consequências de nossas ações como consumidores geram importantes questionamentos com relação ao uso consciente dos recursos que temos hoje garantindo sua manutenção. 

E falar em futuro é falar, também, em aposentadoria. Ela tem a função de proteger o cidadão, mas o rápido envelhecimento da população brasileira resulta em um número crescente de beneficiários do sistema com relação ao número cada vez menor de contribuintes. A ausência da educação financeira fez com que os brasileiros começassem a se preocupar com a aposentadoria muito tarde, deixando na mão da previdência social o papel de garantir sua manutenção no futuro.

Por isso é tão importante para o RPPS planejar suas ações para garantir sua sustentabilidade. Para assegurar o que todos os benefícios aos segurados sejam pagos é fundamental que boas práticas financeiras sejam seguidas na hora de tomar decisões de investimentos. Planejar o presente pensando e analisando comportamentos futuros individuais de cada instituto é a chave  para que as despesas sejam plenamente financiadas mantendo o equilíbrio e gerando tranquilidade aos gestores e segurados vendo um futuro saudável para sua aposentadoria.

Sustentabilidade 

Ser sustentável não é um conceito novo, mas vem aparecendo cada vez mais em diversas áreas do nosso cotidiano. 

O Relatório de Brundtland (documento publicado em 1987) coloca que sustentabilidade é “Suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”. O principal conceito de sustentabilidade é a continuidade e baseia-se em 3 princípios: o social, o ambiental e o econômico. 

  • Social: sugere a igualdade dos indivíduos e o bem estar da população.
  • Ambiental: abrange a conservação e a manutenção do meio ambiente.
  • Econômica: gestão de adequada dos recursos para o crescimento econômico.

O mundo vive uma tendência de procura por produtos e serviços de empresas focadas em ações sustentáveis e socialmente responsáveis. Essa tendência passa também pelo mercado financeiro, onde investidores têm exigido que as empresas sigam políticas sustentáveis na gestão de seus recursos. E nestas exigências é que o ESG vem ganhando força. 

A crescente preocupação com a sustentabilidade faz com que as decisões dos investidores passem cada vez mais a levar em consideração as práticas ambientais, sociais e de governança das empresas.

O que é ESG?

A sigla em inglês que significa: Environmental, social and corporate governance. Uma filosofia de investimentos que foca nas melhores práticas ambientais, sociais e de governança. Avalia empresas de acordo com seus impactos nessas três áreas buscando associar solidez, baixo custo de capital e, normalmente, com reação positiva face às adversidades associadas a clima e sustentabilidade.

No Brasil

Por aqui é possível perceber que estes parâmetros estão em seu estágio inicial, mesmo com a crescente procura por investimentos nesta área. As áreas que cuidam do assunto nas empresas costumam ser pequenas e, algumas vezes, fazendo um trabalho de “fachada”. 

Os investidores tendem a se concentrar em assuntos reputacionais e escândalos de corrupção. Por isso, a governança corporativa tem sido a principal área de interesse para investidores brasileiros. Mesmo com esta tendência, o movimento do mercado mostra que as questões ambientais e sociais irão caminhar cada vez mais próximas com a governança nas decisões de investimentos.

Guia ASG da Anbima

ASG é a sigla e português para os mesmos princípios: ambiental, social e governança. O Guia da Anbima foi lançado em Janeiro deste ano e visa referenciar as instituições financeiras neste assunto trazendo panorama atual da utilização dos aspectos ASG no Brasil e no mundo.

Mesclando teoria com a realidade do mercado, o guia traz estudos de caso de instituições financeiras que adotam os critérios ASG, compartilhando suas experiências, estratégias e produtos exclusivos do universo da sustentabilidade. As instituições citadas são: BB DTVM, BRAM, BTG Pactual, Itaú Asset Management, Pragma e Wright Capital Wealth Management – gestoras que totalizam mais de R$ 2,5 trilhões em patrimônio líquido em fundos de investimento.

“Mais do que ampliar o conhecimento sobre o assunto, o guia propõe uma reflexão sobre a importância da adoção das práticas ASG pela indústria de gestão de recursos. Nos próximos anos, a demanda por esses investimentos crescerá, e precisamos nos antecipar na busca por cada vez mais alternativas que beneficiem não apenas os clientes, mas a sociedade como um todo” afirma Doherty (superintendente-geral da Anbima).

Vantagens para Investidores Institucionais

É obrigação do RPPS manter equilíbrio financeiro e atuarial. Equilíbrio financeiro é a garantia de equivalência entre as receitas e as obrigações. Equilíbrio atuarial é a garantia de equivalência entre as receitas estimadas e as obrigações projetadas, trazidas a valor presente e projetadas a longo prazo.

O investidor institucional tem como base pensar no longo prazo, e a  análise correta destes investimentos com base nos critérios ESG pode permitir maiores ganhos e menores riscos na carteira. Tomando cuidado para buscar empresas que realmente coloquem estes princípios na sua gestão.

Uma das principais vantagens para o investidor é a transparência que esses dados trazem junto a um conjunto de referências que embasam o processo de decisão. Os critérios ESG fornecem informações sobre como as companhias conduzem sua gestão, trazendo segurança e garantindo que este investimento será sustentável a longo prazo.

Em pesquisa da Morrow Sodal (empresa de consultoria estratégica com clientes em todo o mundo) divulgada em Março, foi destacado que os critérios ESG desempenham papel cada vez mais importante nas decisões de investidores institucionais.

A pesquisa está em seu quinto ano, foi realizada em janeiro de 2020 com quarenta e um investidores institucionais globais, com US$ 26 trilhões em ativos sob gestão no total.

Novo Normal

Depois que mercados em todo o mundo foram derrubados ela pandemia gerando um caos financeiro, não é estranho pensar que a tendência para um “novo normal” será cada vez mais pensar em investimentos adotando critérios de sustentabilidade.

Dizer que a principal função de uma empresa é remunerar seus acionistas já é coisa de um passado quase distante. Investir em critérios diferentes de gestão empresarial significa progredir e garantir o futuro de todos.

Saiba Mais

Guia ASG – Anbima

Pesquisa Morrow Sodali

Carta Black Rock

Resolução Nº 4.327, 25/04/2014 – Diretrizes para implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental pelas instituições financeiras

Resolução Nº 4.661, 25/05/2018 – Determinar que as EFPCs devem considerar na análise de riscos, sempre que possível, os aspectos relacionados à sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos.

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